Onde os fracos não têm vez

Falemos de coisas simples. O translado de volta para casa, depois de um longo dia de trabalho. Saindo do Rio de Janeiro para Niterói. Tem tudo para ser um verdadeiro potinho de remédios anti-estresse. Um passeio pelas construções históricas da Praça XV, próximo à Baía de Guanabara. A agradável brisa da baía acariciando nosso rosto no catamarã. E um passeio pela bela Niterói, interior moderno do estado do Rio.



Ô! Eeeeeiiiii!!!! Ô! Ô! Ô!!!!!
Acorda! Segue a realidade:



Enquanto ainda estou empregado (lê-se: enquanto ainda não perceberam que, em vez de trabalhar, eu atualizo um penico), me localizo na Rua da Assembléia, um lugar bem próximo à Praça XV e, por conseguinte, às barcas que fazem a viagem Rio-Niterói. O início do meu caminho de volta seria muito prazeroso, devido às inúmeras lojas que nos distraem pelo Centro e ao ventinho que vem da orla, se a rua não fedesse. Ela fede. E é engraçado.... só nos damos conta do sistema de esgoto quando o cheiramos. Nessa rua existe uma lanchonete, onde gosto muito de comprar vitamina pra beber antes de começar a trabalhar. Tem um bueiro na frente dele. Precisa chegar aos finalmentes? Tem dias que eu desejo um cipó na minha frente. Assim não tenho que ficar dando saltinhos ridículos no meio da rua. Todos fazem o mesmo, mas te olham com ar de bambi alegre. Bem, no final do dia a situação é crítica. E se a situação é assim no Centro do Rio, como será em Higienópolis?

Mas eu consigo passar pela rua, rumo à Praça XV. E, ao final dessa rua, um sinal para que atravessemos a 1º de Março. Um dos muitos sinais do Centro onde as pessoas só não pulam para o outro lado porque a humanidade ainda não evoluiu de tal forma. Mas é um agradável prazer ver as pessoas dando 4 passinhos pra frente, 4 passinhos pra trás, até que o sinal, finalmente, feche, ou que elas saiam correndo até o outro lado, porque vem vindo um alucinado piscando e buzinando, como se fosse, de fato, atropelar alguém. Eu arrisco um palpite: esse alucinado, provavelmente, freia burscamente, canta pneu, faz um escândalo, e vai embora. E a pessoa que ia ser atropelada? Atravessa a rua. Na marra! No braço!

Nesse trajeto, entre a Av. Rio Branco e a Av. 1º de Março existem 2 guardas de trânsito. Que podem ser substituídos por diretores de escola de samba. Mas, sinceramente, não sei se fica mais caro ou mais barato. Mas seria uma boa maneira de divulgar o trabalho da prefeitura!! :D Convênios com as escolas de samba para o trânsito! Já imagino até o nome do carro abre-alas da Mangueira: "Favela-bairro é o c...". Fica registrada a idéia para o carnavalesco Cesar Maia.

Então, passo pela Assembléia Legislativa, palco de todo tipo de espetáculos: de velório de gente famosa à trio-elétrico homenageando po(dre)líticos. Aliás, eu estudo em uma universidade quase em frente. No dia do trio-elétrico eu desisti de ir à aula. Estamos chegando à era dos sem-senso. Era em que o MST, que não são mais sem-terra, mudam o foco para não deixar de existir. Daqui a 2 anos vamos ver um novo partido: o MST! :)
Mas em meio a isso tudo, consigo admirar a beleza das construções portuguesas antigas. Não me canso de admirar nunca.

Chego às barcas!!!! :D A sensação do transporte público em 2008. Entre tsunamis e panes, a Barcas S.A. está lá. Firme e forte. Fazendo merda como nunca. A melhor façanha deles foi comprar catamarãs que levam 1500 pessoas, substituindo os que levavam 2000. Enquanto a demanda aumenta, as empreiteiras se empolgam com quaisquer 50 metros quadrados e o carioca atravessa a Ponte pra ver se a bala perdida atrás dele perde força e fica na baía. Mas um dia ela chega lá. É inevitável.

O prazer da volta pra casa continua em declínio quando vejo, lááááááááá longe, a fila da barca. As filas. Não! Filas é muito elogio. O ninho humano em frente às catracas da Barcas S.A. E uns 3 seguranças, em meio a mais de 100 pessoas, berrando: "RioCard desse lado!". De que lado? O que custa, se 10 catracas têm aparelhos leitores do RioCard, colocar o mesmo aparelho em mais 4?????? Mas o povo gosta. Quanta gente eu já vi sorrindo, espremida entre suvacos cheirosos dos emigrantes. Tem gente que se revolta. Tem gente que acha graça. A verdade é que os portos da Barcas S.A. viraram penicões! Ironia do destino: a Baía de Guanabara é uma merda só. E como se não bastasse o sufoco que é entrar no micro-mini-hall-lotado-de-quiosques da Barcas S.A., ficamos todos com cara de tristes vendo a barca da vez indo embora. Trancados no hallzinhozinho (2 vezes pra dar ênfase). E quando as portas se abrem para o novo estágio de espera??? Parece que alguém lá na frente grita: "O último que chegar é viado!". Se você não anda rápido, é capaz de tomar um cascudo. E aí você fica preso no curralzinho, esperando as pessoas que chegaram com a barca descerem. Elas descem, lentamente, olhando pra você com uma cara irônica, como se estivessem pensando: "Sofre filho-da-puta. Eu sofri lá, você sofre aqui.". Mas deixa. Papai-do-céu tá vendo. VAMOS NOS ENCONTRAR NO CÉU E EU VOU TE ENCHER DE PORRADA!

Enfim, a tediosa viagem pela cheirosa Baía de Guanabara. Quinze minutos do mais puro "nada pra fazer". E as pessoas se olhando e se "desolhando". E ficam uns 10 grudados na porta de saída. Acho até que se a porta abrir no meio da viagem, eles pulam na água velozmente. É inacreditável como não existe sociedade dentro do ambiente da Barcas S.A. Existe uma fazenda.

A essa altura do campeonato, essa porra dessa viagem pra casa já tinha que ter acabado. Saio da corrida maluca (a saída da barca) e vejo a cara do Araribóia todo santo dia! E rumo para mais 2 aventuras: atravessar a rua e pegar o ônibus pra casa.

Não se iluda meu bom leitor. Essas são algumas das tarefas mais complicadas...

A rua que tenho que atravessar é a Visconde do Rio Branco. Tem um sinal ali, muito bem colocado, onde o motorista não vê quem vai atravessar ao seu lado direito, e o pedestre, deste lado, não vê o carro vindo. Uma verdadeira festa para o pessoal dos 4 passinhos. A regra é a seguinte: se o pessoal do outro lado, que consegue ver os carros, atravessa, é porque não vem carro! Aí a gente atravessa! Se essa pessoa for um suicida.... STRIKE!!!
E quando o sinal fecha? Abre-se a torneira humana: pessoas se entrelaçam, se esfregam no meio da rua. Uma suruba rodoviária! E o que eu vejo quando chego ao meu destino????? UM CAMELÔ OCUPANDO 90% DA CALÇADA! Aí suruba é pouco. Mistura-se as pessoas que vão, as pessoas que vêm, o super-camelô berrando: "blábáblá é um réal!!!!" e as pessoas esperando os ônibus na última fase dessa aprazível empreitada: o ponto de ônibus.

Lembro-me que, certo dia, um amigo contava uma piada sobre um narrador português diante de um jogo de futebol, que dizia: "lá vai, lá vai, lá vai, lá vai.... lá vem, lá vem, lá vem, lá vem....". É igualzinho. As pessoas vigiam seu ônibus. Aí ele aparece lá embaixo, e um grupo corre pra entrar. Aí o ônibus não pára lá, e o grupinho corre de volta pra pegar o ônibus mais a frente! Parece o desenho do Pica-Pau! E isso se repete das 18:30hrs até 20:00hrs. Quem estiver de bobeira em casa e quiser jogar alguma coisa, aí vai a dica: vai pra frente desse ponto e leve mais 3 amigos. Apostem quem dos passageiros consegue acertar a posição da porta do ônibus quando ele pára. Diversão garantida!

E, pra variar, não existe fila. Existe um ninho. E eu, é claro, não me enfio nesse bolo. Geralmente, logo depois que o ônibus dos desesperados parte, chega um vazio. E eu entro andando, sem ninho na minha frente. :D Qualidade de vida!

É... eu faço parte disso tudo. Tudo isso é muito divertido contado aqui, mas não é nada legal ver que, em nenhum ponto desses que coloquei aqui, existe uma fiscalização ou organização dignas de uma grande metrópole. E eles ainda conseguem sediar os Jogos Pan-Americanos. Só fazem quando querem.

Escrito por Rafa às 15h25
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Vai pra calçada!

Estava eu, feliz da vida, ontem à noite, voltando pra casa depois de um dia de trabalho. Eu sempre gosto de viajar de ônibus observando a rua. É melhor do que passar o tempo todo observando relógio. Mesmo que os mesmos prédios e casas estejam nos mesmos lugares, sempre tem alguma coisa diferente pra se ver. E ontem teve mesmo.

O ônibus estava parado, preso em um trânsito que não estava tão caótico. Era só a hora do rush, e muitos carros se encontram em um mesmo lugar. De repente, quando olhei de relance pra calçada, o que vejo? Um motoqueiro. E o pior! Em cima da moto! E, sim! Ela estava em movimento! Isso mesmo sras. e srs. O menininho da moto, com uma pressa maior do que a de todas as pessoas que estavam presas naquele transitozinho mixuruca, resolveu cortar caminho pela calçada cheia de gente! Boa idéia! :D Lembro bem que há menos de 1 mês, um bonitão de São Paulo tentou pegar o metrô de carro. Devia estar tão apressado que não tinha tempo de procurar um estacionamento, então resolveu enfiar o carro escada abaixo. Será que ele previu como passaria na roleta? Isto é, se ele sequer passasse da escada né? É, realmente, ridículo.

Mas parece que a prática é comum! Também há menos de 1 mês eu estava indo para o trabalho quando vi um outro motoqueiro cortando o trânsito pela calçada! E ainda buzinou pra um pedestre, pra que este saísse da sua frente! Hahahahahaa! Eu precisava rir. Só faltava gritar: "Vai pra calçada!".

Acorda Departamento de Trânsito!

Escrito por Rafa às 10h14
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PO(RR)A

É... eu estava em Porto Alegre neste final de semana. Fomos visitar uns parentes. Eu, minha esposa e meu enteado. Um moleque mais esperto que eu. Fizemos uma ótima viagem de aviãoe passamos um agradável final de semana debaixo de 15 graus de temperatura. Até que estava gostoso. Mas o domingo chegou rápido, era hora de partir. Enquanto o Fluminense ia apanhando do Grêmio, eu ia passeando até o aeroporto. Antes, como cara precavido que sou, liguei pra INFRAERO, dentro do aeroporto, pra saber se o mesmo estava operando normalmente. Pela resposta rápida do outro lado, parecia que o sol brilhava, borboletas planavam e passarinhos cantavam ao céu azul. Ótimo! Vou chegar em casa, descansar e, no dia seguinte, trabalhar. Afinal, tenho bocas a alimentar. A minha e a do Piniquinho. Mas este último não ficou com fome!

Chegamos ao aeroporto. A primeira missão: achar algo que se parecesse uma fila. O que eu via eram algumas pessoas enfileiradas em formatos diversos. Só não havia um origami no local porque o circo não estava embarcando. Por um instante me senti em casa. :) Momento agradável. Se gritassem "GOL!" no meio da multidão, eu teria plena sensação de estar no anel superior do Maracanã. Resumindo: uma zona.

A missão seguinte era encontrar a fila (?) que me levaria ao check-in do meu vôo. Mas para achar a fila, tinha uma missão bônus: achar a mocinha da Gol (Linhas Aéreas Inteligentes?), para me dizer em que fila (?) eu ficaria. Mas achei a menina! E, pra minha enorme felicidade, a fila para o meu check-in só tinha 4 pessoas. Se ela não me apontasse o final da fila, eu ia sentar no chão e chorar. Mas fizemos o check-in e fomos fazer um lanche. McLanche Feliz! Momento família, lanchinho, olha o aviãozinho pela janela. Mas tínhamos que ir para a sala de embarque. Nosso vôo era às 18:30, e já eram 18:00. Quando chegamos lá embaixo: MegaFila Feliz! E duas! Mas não tinha um brinquedinho. Paciente, lá fui eu perguntar ao segurança qual era a fila que eu deveria ficar. Porque uma era de vôo internacional. Mas as duas terminavam no detector de metais. Eu até acredito que haja, em algum curso para que se trabalhe em um aeroporto, uma matéria chamada: "Introdução à Formação de Filas". Eles fazem isso muito bem. Deve ser a matéria mais gostosa. Mas, enfim, passei pelo detector.

Assim que PISEI na sala de embarque, surge aquela voz de sex-phone: "Atenção passageiros do vôo Gol XXXX, para o Rio de Janeiro. O vôo foi cancelado devido às más condições meteorológicas. Por favor, identifiquem-se no portão 7.". Eu ainda esperei alguns segundos pra ver se a voz voltava e gritava: "1º de abril!". Mas não voltou. Lembrei da INFRAERO e das borboletas. Nesse pequeno espaço de tempo, a pessoa que estava encarregada de identificar as pessoas do vôo já as tinha identificado e estava passando por mim. Fui atrás dela como se estivesse caçando em um safari. Foi duro desviar de todas as pessoas nas filas (?) e ainda conseguir enxergar a cabecinha de uma menina de 1,60m que sequer olhava para trás para ver se a fila ainda existia atrás dela. Só faltava ela começar a correr e gritar: "vocês não me pegam!!!". Mas não a perdi de vista! Aliás, o aeroporto Salgado Filho tem um chará no Rio de Janeiro. Um hospital. Mas não é só o nome que é igual não. As filas, o mau-atendimento e as pessoas deitadas no chão também são iguaizinhos.

Bom. Quando já estávamos há 40 minutos na fila (essa fila estava direitinha) para remarcar o vôo, surge uma menina da Gol (Linhas Aéreas Inteligentes?), informando que poderíamos marcar nosso vôo por um 0800. Por um instante, me senti bem tratado. Posso ligar de casa. Algumas pessoas indagaram, lá de trás: "que casa??". Mas eu tinha sorte de estar visitando parentes. Não precisava ficar na fila por mais 40 minutos e andar mais 10 centímetros. E depois de pensar muito no que fazer (afinal, não era qualquer um. Era uma companhia aérea. Há de se ter cuidado), demos um voto de confiança e fomos para casa.

Chegando lá, minha mulher telefonou para o 0800. Ela é mais explosiva que eu, e eu estava doido pra ouvr o esporro que ela ia dar no pessoal! :)
Demorou 30 minutos até que ela conseguisse falar com um humano. Ela explicou a situação e a mocinha do outro lado disse que................. o vôo só pode ser remarcado no aeroporto. Eu fiquei esperando a porta de casa ser derrubada pelo Sergio Mallandro gritando: "Ha! Pegadinha do Mallandro!". Mas ele não veio. E, quando ela começou a reclamar, a ligação caiu (uma colher de chá). Ok. Caiu. Acontece. Ela tornou a ligar e aí eu descobri porque a Gol é uma Linha Aérea Inteligente: ela ficou 30 minutos ao telefone, esperando para falar com um humano! Agora sim! Faz sentido! Tudo cronometrado, bonitinho. E o cara que atendeu prestou a mesma informação, só que esse escutou o esporro. Hahaha!

Depois de muita insistência (aqui cabe a imaginação de cada um), o rapaz disse que ia remarcar o vôo e ia nos ligar para confirmar. Aí eu lembrei daquele ditadinho que toda vozinha diz: "quando a esmola é muita, o santo desconfia.". Não dava pra crer. Tanto não dava que convenci minha mulher a irmos ao aeroporto. E isso não foi fácil. Afinal, estava frio e já eram 23:00hs. Chegando lá, puto da vida e pronto pra soltar todos os animais em cima dos atendentes da Gol (Linhas Aéreas Inteligentes?), toca o telefone dela: era o cidadão da Gol (Linhas Aéreas Inteligentes?), confirmando o vôo para as 21:00hs do dia seguinte. Ou seja, adeus 8 horas de trabalho. Mas era o melhor que podíamos ter. Neste mesmo dia tinha gente sendo jogada para vôos na terça-feira. Minha mulher riu de mim. E o moleque, mais esperto que eu, estava nos esperando em casa, quentinho.

Escrito por Rafa às 16h48
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